O que fazer quando seu chefe diz não

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Alguns anos atrás eu sentei com o CEO de uma das empresas de negócio do setor varejista a qual se apresenta em acelerado crescimento. A empresa começou com uma única loja, e uma década após sua criação, se tornou uma loja com abrangência em cadeia nacional. Eu perguntei ao CEO, a quem eu chamo Mike, sobre o segredo do rápido crescimento de sua empresa. Sua resposta me surpreendeu.

“Diga não”. Essa foi a sua resposta. Ele me disse que utiliza o “não” regularmente – ao pessoal extra, a maior investimento em marketing, á equipamentos adicionais.

Tradução: Júlia Linck Moroni, Medicina Veterinária

A maioria de nós não gosta de receber um “não”. Nós consideramos isso uma rejeição de nossas ideias e a nós mesmos. É um sinal de que nossos projetos não são valiosos e que nossa carreira está estancada. Mas, da mesma forma que os empregados de Mike aprenderam, muitas vezes ouvir um “não” nos impulsiona em direção aos nossos objetivos.

Nós nos condicionamos a acreditar que quanto mais recursos temos, melhores serão os resultados que atingiremos. Enquanto essa crença pode ser verdadeira em alguns momentos, ela nos leva a subutilizar nossa criatividade e nossa determinação de trabalhar com o que temos. A crença de que não temos o necessário para exercer nossos trabalhos aumenta nossa ansiedade, nos impede de tomar ação e nos faz perder de vista o objetivo que queremos alcançar.

A próxima vez que ouvir um “não” no trabalho, ao invés de apertar o botão do pânico, tente seguir esses passos:

1. Aumente suas expectativas.

Quando nosso chefe não aceita uma proposta, nós usualmente temos duas reações. Primeiro, nós pensamos que ele ou ela não entende a real magnitude do problema – caso contrário, estaria provendo os recursos necessários para solucionar o problema. Segundo, nós nos resignamos ao fracasso. Sem mais, a qualidade do trabalho irá regredir. Sem funcionários extras, nós necessitaremos limitar o escopo do projeto. Sem mais verba para o marketing, as vendas irão reduzir.

Quando nos tornamos frustrados, começamos a reduzir nosso esforço, o que leva a negatividade. Nós agimos como se nossos projetos não pudessem ser terminados com o alto padrão que vínhamos executando – e é exatamente isso que acabamos fazendo.

Pesquisas mostram que pessoas trabalham para ir de encontro com suas próprias expectativas, assim como a expectativa dos demais. Quando interpretamos erroneamente um “não” do nosso chefe nos sentimos desvalorizados e acabamos fadados a isso.

Ao invés disso, coloque maiores expectativas em seu trabalho. Pense em como o hard work, o uso criativo dos recursos existentes e a colaboração de colegas podem permitir com que você cumpra os prazos, supere as metas de venda, ou qualquer outro objetivo. Um “não” pode lhe dar a oportunidade de provar aos demais que você pode encontrar soluções criativas e entregar um trabalho de qualidade com menos recursos.

2. Tente algo novo

Um dos meus heróis de televisão da infância foi o McGyver, o agente secreto que podia resolver qualquer problema com um canivete, fita isolante, ou qualquer instrumento doméstico. Ele não tinha equipamentos de alta tecnologia ou superpoderes típicos de super-heróis. Mas ele tinha uma importante característica: ele era engenhoso.

Nós acabamos nos tornando dependentes de precisar mais para fazer mais. Quando temos muitos recursos, não há necessidade de nos tornarmos criativos na forma como usá-los ou maximizá-los. Mas quando esses recursos desaparecem, nós nos vemos em uma situação problemática. Nós não desenvolvemos técnicas e não criamos desenvoltura.

Então, quanto mais experiências tivermos com a escassez de recursos – quanto mais vezes nosso chefe tiver nos dito “não” – maiores e melhores as chances de aprender a usar nossas ferramentas para criar novas soluções. Pesquisas mostram que quando temos recursos negados, nos damos à licença para tentar novos caminhos utilizando os recursos que nos são oferecidos no momento. Sem um martelo, passamos a acreditar que um sapato é ótimo instrumento para pregar um prego na parede. Toda vez que seu chefe diz “não” e nós nos adaptamos com sucesso, nós não apenas resolvemos um problema, mas também nos livramos da dependência de necessitar mais para fazer mais.

Em 2010 passei uma tarde com o gerente da loja que possui o melhor desempenho na empresa de Mike, ele se chama Ethan. Ethan relatou todas as ocasiões em que recebeu um “não” em sua carreira: em planos de propaganda para os produtos, programas de gestão sofisticados e simples manuais de treinamento.

Em certa ocasião, a loja de Ethan recebeu uma enorme quantidade de vestidos mal feitos. Eles eram tão frágeis que eles mal ficavam nos cabides, muito menos eram comprados pelos clientes. Ele perguntou se poderia devolvê-los, mas obteve um “não” como resposta.

Então ele retornou ao trabalho com o que tinha. Mentalmente passou a analisar o produto. Ele pegou um par de tesouras e cortou as alças do vestido. Ele enrolou o tecido, amarrou-o com uma fita bonita e o denominou “saída de praia”. O vestido se tornou um best seller, e outras lojas passaram a adotar a sua tática.

3. Continue andando (em qualquer direção)

Dada minuto que passamos nos preocupando com o que não temos, é um minuto a menos que poderíamos ter gasto fazendo alguma coisa. Quando levamos um “não” para o lado pessoal, acreditando que é um diagnóstico do nosso trabalho ou de nós mesmos, nos sentimos diminuídos e temos dificuldade em lutar com os nossos recursos existentes. Já que, se nós tivéssemos algum valor e estivéssemos fazendo um bom trabalho, a resposta teria sido “sim”, correto?

Pesquisadores chamam essa experiência de “rigidez da ameaça”, a qual significa que em tempos de ameaça (Ex. se nós pensamos que fizemos algo errado no trabalho ou que não temos mais valor) nós caímos na cilada de perder a criatividade e não observar os recursos existentes ao nosso redor. Nós encontramos dificuldade em nos tornarmos pessoas precisamente versáteis quando a situação exige. Perturbados pela “rigidez da ameaça”, desperdiçamos oportunidades para alcançar nossos objetivos.

Há uma forma simples para superar o sentimento de ameaça transmitido por um “não”. Pense no que você tem. Coloque os seus recursos na ativa através da experimentação. À medida que você começa a se mover, se tornará mais fácil começar a atingir seus objetivos sem um plano completo, um time ideal ou recursos superiores.

Não deixe que um “não” o impeça de atingir seus objetivos. Siga em frente e leve isso como uma oportunidade de fazer mais com menos. Você perceberá que tem uma oportunidade de engrandecer o que você já tem em mãos.

Adaptado de: Scott Sonenshein – What to do When Your Boss Says No, Harvard Business Review

 

 

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